Entrevista da Dra. Priscila Matsuoka para a Nutriangels

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A Dra. Priscila Matsuoka deu uma entrevista para o blog da Nutriangels, falando alguns pontos importantes sobre a endometriose.


Confira a entrevista abaixo.

A endometriose é um problema de saúde pública que vem ganhando atenção especial nos últimos anos, no Brasil, pois acomete cerca de 6 milhões de mulheres, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). Neste Dia Internacional da Mulher, a Nutriangels preparou uma entrevista especial com a Dra. Priscila Matsuoka, afim de esclarecer pontos importantes sobre a endometriose e facilitar o entendimento da doença.

Doutora Priscila Matsuoka é graduada em Medicina pela Escola Paulista de Medicina (atual Universidade Federal de São Paulo), com especialização em Uroginecologia pela Universidade de São Paulo e Ginecologia Minimamente Invasiva pelo Hospital do Servidor Estadual. Atualmente, Dra. Priscila atua em clínica médica própria situada na cidade de São Paulo. Concedeu esta entrevista sem conflito de interesses com a Nutriangels.

1 – O que é a endometriose e quais são os sintomas mais comuns da doença?
De acordo com a Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva, a endometriose é uma doença inflamatória, estrógeno-dependente, que se caracteriza pela presença de tecido semelhante ao endométrio (camada interior do útero) implantada fora da cavidade uterina, principalmente na cavidade pélvica, peritônio e ovários. Os principais sintomas da doença são dor pélvica por mais de 6 meses, dor para ter relação sexual (dispareunia), cólicas menstruais fortes (dismenorréia) e infertilidade. Nem todas pacientes tem todos os sintomas e algumas pacientes com endometriose podem ser até assintomáticas.

2 – Quais são os fatores de risco para o desenvolvimento da doença?
Em geral, a endometriose pode estar mais relacionada a mulheres que sofrem estresse, mulheres que têm menos filhos e engravidam mais tardiamente. No entanto, isso não é regra, pois existem casos em que a doença manifesta-se na adolescência. Por isso, consideramos que a endometriose é uma doença de etiologia multifatorial, ou seja, fatores imunológicos, hormonais e genéticos estão relacionados com sua origem.

3 – A endometriose tem cura?
Depende o que definimos como cura. Se consideramos cura como processo de recuperação ou melhoria de algo; sim, a endometriose tem cura, já que tem tratamento. Este pode ser com medicamentos para melhora e controle da dor e sintomas, ou por meio de cirurgia. O tratamento cirúrgico é indicado em casos específicos e mais graves de endometriose profunda. No entanto, também pode existir a recorrência da doença, mesmo após seu adequado tratamento cirúrgico.

4 – Qual a relação entre a endometriose e a infertilidade de mulheres que sofrem da doença?
Estudos mostram que mais da metade das mulheres com endometriose podem apresentar infertilidade. No entanto, mesmo na atualidade, não se sabe ao certo, quais as causas que levam as pacientes com endometriose apresentarem dificuldade para engravidar. Algumas teorias apontam que o processo inflamatório, alteração imunológica, alteração na função tubo-ovariana estejam associadas com a infertilidade.
Nos casos mais avançados de endometriose profunda, a infertilidade pode estar relacionada à presença de aderências, que causam uma distorção da anatomia pélvica e prejuízo da função tubo-ovariana.
No entanto, com tratamento laparoscópico adequado da endometriose, existe uma melhora substancial da chance de gravidez dessas pacientes, onde um terço destas conseguem engravidar, num período de 9 meses após a cirurgia.

5 – No período da menopausa e pós-menopausa, a endometriose para de se manifestar?
Na realidade, como a endometriose é uma “doença hormônio-dependente”, ou seja, que depende de estrogênio para se desenvolver, na menopausa quando há uma queda substancial de hormônios na mulher, a endometriose tende a regredir. Mas cada mulher deve ser avaliada adequadamente.

6 – De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a endometriose atinge entre 10% e 15% da população feminina no Brasil, algo em torno de 6 milhões de mulheres. Ainda assim, os sintomas da doença são desconhecidos por cerca de 53% desse público no País. Na sua opinião, seria relevante uma maior conscientização sobre esse problema de saúde pública?
Com certeza, a informação leva a mulher a ter maior consciência de seu problema e conseguir procurar ajuda. Uma boa avaliação leva a um bom tratamento. Uma vez que a endometriose piora significativamente a qualidade de vida da mulher, é importante que os principais sintomas da doença sejam mais claramente divulgados.


Referências:
- American Society for Reproductive Medicine (ASRM). A guide for patientes. 2012. Disponível em: http://www.asrm.org/Endometriosis_booklet.
- Condutas em Ginecologia: Baseadas em Evidências – Guia de Condutas da Disciplina de Ginecologia da USP – Edmund Chada Baracat

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